TRADUÇÃO DO RUSSO DE ANTÓNIO PESCADA

«O desconhecido estava sentado à sua frente, também de sobretudo e chapéu, na sua cama, sorria ligeiramente, e, franzindo um pouco os ol…
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Categoria: Clássicos, Clássicos para Leitores de Hoje, Clássicos Russos
Tradução: António Pescada
EAN: 9789896417147
Data de publicação: 22/03/2017
Nº de páginas: 200
Formato: 14,8 x 22,5 cms
Acabamento: Capa Mole
Peso: 326 gramas
Descrição completa:

TRADUÇÃO DO RUSSO DE ANTÓNIO PESCADA

«O desconhecido estava sentado à sua frente, também de sobretudo e chapéu, na sua cama, sorria ligeiramente, e, franzindo um pouco os olhos, acenou-lhe amigavelmente com a cabeça. O senhor Goliádkin queria gritar, mas não pôde — protestar de alguma maneira, mas não lhe chegavam as forças. Tinha os cabelos em pé e sentou-se no seu lugar, insensível de horror. E de resto havia razão para isso. O senhor Goliádkin reconheceu completamente o seu amigo noturno. O seu amigo noturno não era outro senão ele próprio — o próprio senhor Goliádkin, outro senhor Goliádkin, mas exatamente como ele — numa palavra, aquilo a que se chama o seu duplo em todos os aspetos…»

O Duplo foi publicado em 1846, quando Dostoievski contava apenas 24 anos.
O tema do duplo foi depois muitas vezes abordado na literatura, mas a narrativa de Dostoievski estabelece uma rutura com as convenções literárias até então vigentes.
Goliádkin é o símbolo da revolta do homem contra as instituições sociais, mas também contra ele próprio.

SOBRE O AUTOR:
Fiódor Dostoievski nasceu em Moscovo em Outubro de 1821, o segundo de sete filhos. A mãe morreu em 1837, de tuberculose, e o pai, médico, saído da nobreza provinciana, foi assassinado dois anos depois, quando se instalara já como proprietário rural. Dostoievski estudou num colégio interno em Moscovo e, entre 1838 e 1843, frequentou a Academia Militar de Engenharia, onde se interessou mais por Púchkin, Gógol e Lérmontov do que pelas disciplinas do curso. Nessa época, leu também Shakespeare, Byron e Balzac (traduziu Eugénie Grandet), Victor Hugo, Hoffmann, Goethe e Schiller. Publicou a sua primeira história, Gente Pobre (onde a influência de O Capote de Gógol é visível), aos vinte e cinco anos, obtendo um enorme sucesso.
Em 1849, quando escrevera já uma dúzia de contos, foi preso e condenado à morte por participar no Círculo Petrashevski. A pena foi substituída à última hora por cinco anos de trabalhos forçados numa prisão siberiana.
Foi agrilhoado e a caminho da Sibéria que Dostoievski recebeu um exemplar do Novo Testamento das mãos de uma das mulheres dos Dezembristas. Não mais largou o livro, mas a sua relação com a religião foi sempre atormentada pela rejeição e a dúvida.
Na década que se seguiu ao seu exílio, onde teve os primeiros ataques de epilepsia, escreveu Recordações da Casa dos Mortos (1862), baseado na sua experiência prisional, e Humilhados e Ofendidos.
Em 1857 casou com uma viúva, Maria Isaieva, tendo criado uma relação de amizade com o seu jovem amante semelhante à descrita em Noites Brancas.
Entre 1862 e 1863 fez várias viagens pela Europa, onde conheceu Paulina Suslova, que serviu de modelo para algumas das suas heroínas. Foi em Wiesbaden que se iniciou na paixão pelo jogo (O Jogador é a obra em que ficcionou a sua atracção pela roleta).
Em 1866 publicou Crime e Castigo, em capítulos, na revista O Mensageiro Russo.
Em 1867 casou-se com Anna Grigorievna, a jovem estenógrafa a quem ditara O Jogador em vinte e seis dias. O casal viria a instalar-se em Genebra, onde teve uma primeira filha.
Passado um ano, o casal viajou para Milão e Florença, antes de regressar a Dresden. Dostoievski só voltou à Rússia em 1871.
Em 1880 proferiu um discurso memorável na inauguração do monumento a Púchkin em Moscovo. Morreu seis meses depois, em 1881. Algumas das suas obras mais importantes foram publicadas na década final da sua vida: Os Demónios (1872) e Os Irmãos Karamázov (1880).

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