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TRADUÇÃO DE PAULO FARIA
Sensibilidade e Bom Senso é o primeiro romance escrito por Jane Austen (se excluirmos o epistolar e juvenil Lady Susan).
Para a sensível Elinor Dashwood e a sua impetuosa e romântica irmã, Marianne, a perspectiva de casarem com os homens que amam parece remota.
Num mundo organizado por interesses e pelo dinheiro, as irmãs Dashwoods parecem condenadas pela ausência de relações pessoais e de fortuna.
Marianne apaixona-se pelo encantador e inconstante Mr. Willoughby. Em contraste, Elinor enfrenta com estoicismo as notícias de que o seu amado Edward Ferrars está prometido a outra mulher. Através das suas diferentes experiências amorosas, as duas irmãs são levadas a concluir que a melhor solução está na conjunção entre razão e sentimento.
«Jane Austen foi uma inovadora feroz, e as suas inovações estavam praticamente realizadas quando ela tinha vinte e quatro anos. Isto diz-nos algo sobre a combinação vaga de esforço e instinto presente na sua vida literária. (…)
As heroínas de Austen não mudam no sentido moderno do termo porque, na verdade, não descobrem coisas sobre si mesmas. Elas descobrem novidades cognitivas, procuram o que é correcto. À medida que o romance avança, levantam-se alguns véus e removem-se alguns obstáculos, para que a heroína possa ver o mundo mais nitidamente.»
[James Wood, A Herança Perdida]
SOBRE A AUTORA:
Jane Austen nasceu a 16 de Dezembro de 1775, no priorado de Steventon, no Hampshire. Era uma das lhas mais novas do reverendo George Austen e da sua mulher, Cassandra. Jane foi educada em casa, cedo frequentando a ampla biblioteca do seu pai. Para entreter a família, desde muito nova escreveu e representou peças teatrais.
Aos catorze anos, escreveu o seu primeiro romance, Amor e Amizade, e A História de Inglaterra. Foi pouco depois dos vinte anos que Jane escreveu as primeiras versões daquilo que viria a ser mais tarde Sensibilidade e Bom Senso e A Abadia de Northanger. Esses trabalhos revelam já as características que a distinguiriam como romancista, a ironia ao serviço da inovação e a liberdade individual das suas personagens femininas. No essencial, Austen encontrara já os novos caminhos de representação ficcional das suas personagens. Segundo o crítico James Wood, em A Herança Perdida, estas «experiências precoces depressa deram frutos, quando Austen começou a criar as heroínas pelas quais é lembrada e amada».
Quando jovem, Jane gostava de dançar, tal como as suas futuras heroínas, frequentando bailes nas casas senhoriais das redondezas. Dava longos passeios pelos campos e tinha bastantes amigos no Hampshire. Foi por isso um choque para ela quando lhe anunciaram, em finais de 1800, que a família se iria deslocar para Bath. Os quatro anos seguintes foram difíceis para Jane Austen, que se sentia inadaptada numa cidade comercial. Foi nessa época que, durante umas férias, Jane se apaixonou por um jovem cuja morte, ocorrida pouco depois, a perturbou profundamente. Aceitou mais tarde a proposta de casamento de Harris Bigg-Wither, um abastado proprietário, tendo mudado de ideias na manhã seguinte. Após a morte do seu pai em 1805, a família conheceu dificuldades, tendo recorrido ao apoio dos irmãos de Jane.
A mãe e as lhas deslocaram-se então para Southampton, para partilharem a casa de Frank, irmão de Jane. Esta passou a visitar Londres ocasionalmente, hospedando-se em casa do seu irmão Henry, um banqueiro, a quem estava muito ligada. Frequentava o teatro e as exposições. Mas no período em que viveu em Bath e Southampton Jane quase não escreveu.
E é então que, em Julho de 1809, Edward oferece uma casa em Chawton à mãe e às irmãs, o que lhes permite regressar ao amado Hampshire. Era uma casa pequena, mas confortável, com jardim e, o que é mais importante, dava a Jane Austen a estabilidade que lhe permitia escrever. Nos sete anos e meio em que viveu nesta casa, reviu Sensibilidade e Bom Senso e Orgulho e Preconceito, que foram publicados em 1811 e 1813. Foram anos particularmente fecundos, com a edição de Mansfield Park (1814) e de Emma, dois anos depois. Completou também a escrita de Persuasão, que, tal como A Abadia de Northanger, saiu em 1818, ano que se seguiu à sua morte.
Jane Austen contraiu uma doença tuberculosa. Impossibilitada de passear ao ar livre, conduzia uma pequena carruagem puxada por um burro. Em Maio de 1817, para ficar junto do seu médico, Jane e a sua irmã Cassandra alugaram um quarto em Winchester. Mas a doença era incurável. Jane morreu nos braços da irmã na madrugada de 18 de Julho de 1817. Tinha apenas 41 anos e é fácil imaginar que, se não tivesse morrido tão cedo, vários romances se sucederiam aos sete que escreveu.
Está sepultada na Catedral de Winchester.
Versão eBook disponível nas plataformas habituais.




















